O Deputado “marionete” de Flávio Dino, quer gastar R$ 320 milhões em obras

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Deu no G1

Flavio dino e waldir maranhao

Nessa época de crise grave, de contas públicas no vermelho, de promessas de contenção de despesas pelo governo federal, a Câmara dos Deputados pretende gastar mais de R$ 300 milhões numa obra de ampliação das instalações da Casa.

Sem quórum, a sessão desta segunda-feira (27) foi cancelada. Tem sessão prevista para terça (28), mas deputado que faltar não vai ter desconto no salário de mais de R$ 33 mil.

A decisão é do presidente interino Waldir Maranhão, que escreveu “sem efeito administrativo” nos vários comunicados que mandou aos parlamentares de folga pelas festas juninas. Um sinal verde para quem quiser faltar e garantir o salário inteirinho.

“Isso é o fim da picada. Nós entendemos que talvez não tenha quórum para votar qualquer matéria. Portanto, acho que o presidente Waldir Maranhão poderia voltar atrás e dizer que vai descontar aqueles que são faltosos”, disse o deputado Pauderney Avelino (DEM-AM).

E tem mais polêmica. No início de junho, Waldir Maranhão revogou uma decisão que, desde setembro de 2015, cortou as despesas com horas extras por sessão noturna de quase R$ 1,3 milhão para, em média, R$ 500 mil.

E os gastos da Câmara aumentaram nos últimos anos.

Só com pessoal e encargos sociais, subiram de quase R$ 3,7 bilhões em 2013 para mais de R$ 4,2 bilhões em 2015. Dinheiro público.

E vêm mais gastos por aí. Apenas um mês depois de o Congresso aprovar um rombo nas contas do governo de R$ 170,5 bilhões em 2016, o primeiro-secretário já fez até vistoria do início de uma nova obra na Casa.

A Câmara quer construir o novo anexo onde hoje é uma garagem. O prédio vai ter quatro andares e seis pavimentos de subsolo, 122 novos gabinetes para os deputados, auditórios, restaurante, café, um terraço, jardim e garagens.

A construção deve durar quatro anos e, para isso, a Câmara diz que vai gastar R$ 320 milhões.

“A Câmara não vai tirar dinheiro da saúde, educação etc. A Câmara tem um recurso na qual ela, através da administração da folha de pagamento, ela conseguiu vender tanto para o Banco do Brasil quanto para a Caixa Econômica anos atrás, e esse dinheiro está rendendo juro. Esse recurso vai ser um recurso que não virá dos impostos da sociedade brasileira”, disse o deputado Beto Mansur (PRB-SP).

O líder do PPS, Rubens Bueno, diz que o correto é reduzir a estrutura da Câmara, e não aumentar o espaço para comportar o inchaço.

“Se nós estamos vivendo um momento de crise, crise grave de economia, de resultados sociais ainda mais graves, do ponto de vista de milhões de trabalhadores sem emprego, empresas fechando as portas, não é agora que vamos estabelecer um projeto desta ordem sem ter a preocupação em buscar o reequilíbrio fiscal. E aquilo que é dinheiro da Câmara dos Deputados é dinheiro público, portanto, o reequilíbrio começa nos próprios parlamentares”, disse Rubens Bueno (PPS-PR).

A presidência da Câmara declarou que a redução nas sessões deliberativas por causa dos festejos juninos vai ser compensada em outros dias, e que a mudança na decisão anterior sobre o pagamento de horas extras nas sessões noturnas foi feita para corrigir um problema trabalhista.

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